Eu sou doce e eu tenho saudade.
Não sou essa imagem intense non sense que você cristalizou de mim.
A força estranha está guardada dentro dos seus julgamentos, sentimentos e lembranças de quem tem medo de se atualizar no presente. Medo de amar de novo e mais.
Se você me olhasse agora, e visse o jeito do meu corpo falando, e rosto, veria que não é nada disso. A expressão está parada, a respiração eu busco fundo, o rosto é um pouco virado de lado, fico tensa, porque tenho de novo a sensação de falta e vazio e da lembrança de ter feito algo errado. "Você fez tudo errado". Mas tanto que o errado também se cristalizou no passado e fica me infernizando, como uma bola de aço (escrita, você fez errado, você fez errado!!) com espinhos medievais a pular de um tempo pro outro, castigando sempre quando pode, meu coração perdido. Perdido a te procurar nas ruas, a sorrir com seu sorriso e adivinhar seus pensamentos. E por quê? Dizem que isso é amor, dizem que é paixão, não sei. Se não fosse tão estranho eu diria que é parte de mim que ficou em algum lugar aqui perto, mas que não está em mim. Uma semente que está apertada em algum lugar querendo crescer. Outro dia um amigo me contou que o homem não esquece suas paixões. Que uma mulher importante na vida de um homem jamais é esquecida por ele. A mulher já aceita mais as situações e até perdoa as atitudes que ela não concorda no homem. Mas o homem, confuso e perdido, com seu orgulho ferido, não esqueçe jamais quem o tirou do prumo. Destino perigoso esse de quem não sabe pra onde vai, ou pelo menos não almeja, mas o fato é que não há ruas, avenidas, prédios ou estradas para a paixão, porque, quando somos enfeitiçados por ela, nada se constrói. Já o amor é pura construção! E a saudade?